domingo, 15 de abril de 2012

O Papel da Pesquisa na formação dos professores.

O papel da pesquisa na formação e na prática dos professores.

No capítulo I, Dilemas e perspectivas na relação entre ensino e pesquisa, a autora Lucíola L. C. P. Santos, trata sobre os professores dos cursos de graduação, salientando a falta de integração entre o seu campo de investigação e as disciplinas que lecionam, pois deixam de lado pontos principais do curso, centralizando o trabalho apenas em torno da sua área de pesquisa. Ensinar exige habilidades diferentes de pesquisar, professor e pesquisador tem trajetórias distintas. Para Foster (1990 p.15), pesquisar e ensinar, são tarefas distintas que dependem de diferentes tipos de conhecimentos, habilidades e disposições. Há quem se oponha, e defenda a pesquisa como elemento essencial no trabalho docente e, que os cursos de formação docente devem voltar seus currículos para a preparação dos professores para o exercício dessa atividade. Shön, (1987 p.16), diz que “o profissional reflexivo trabalha de forma tão rigorosa quanto o pesquisador e, uma vez que procura identificar problemas e implementar alternativas de solução, registrando e analisando dados, o que faz com que a atividade profissional deixe de ser distinta da atividade de pesquisa.” Nesse sentido, o professor deve trabalhar como um pesquisador, identificando problemas de ensino, construindo propostas de solução com base na literatura e em sua experiência, colocando em ação as alternativas planejadas, observando e analisando os resultados obtidos, corrigindo percursos que se mostram pouco satisfatórios. Cochran Smith e Lytle, (1990 p.16 ) escreveram um artigo que ressaltou a importância da pesquisa na formação e no desenvolvimento profissional do professor e nos projetos de reforma das escolas e o desenvolvimento de teorias e conceitos que fundamentam esse tipo de pesquisa. Há diferentes concepções que tratam sobre a natureza e o papel da pesquisa o que gera a contestação do movimento em torno da formação do professor pesquisador. O professor pesquisador deve atuar como um agente de mudanças, e por meio da pesquisa ele deve construir maneiras alternativas de observar e entender o trabalho dos estudantes. As autoras questionam sobre que tipo de conhecimento é produzido quando os professores realizam estudos sobre sua própria escola e sala de aula, pois para elas o conhecimento então seria puramente prático sobre como melhor conduzir o ensino. Salienta-se também algumas habilidades necessárias ao professor pesquisador tais como: curiosidade, vontade de encontrar explicações, criatividade, confronto entre pontos de vista diferentes,é necessário aprender a olhar e a escutar com mais atenção, de ver melhor o que não está claramente explicitado, de perceber que a diversidade de pontos de vista é maior que se supõe e constatar que as situações são mais complexas do que aparentam. O professor pesquisador aprende a refinar o ponto de vista sobre um determinado fenômeno. Na pesquisa o professor lida com conceitos, variáveis e hipóteses, trabalhando de forma mais sistemática com o conhecimento teórico do que nas atividades práticas. Para Perrenoud (p.20), “Participar de uma investigação tem sentido quando por meio dela abre-se a possibilidade de o aluno-mestre tomar consciência da fragilidade do conhecimento, perceber incertezas e conflitos teóricos, as lutas por recursos e as relações de poder envolvidas nesses processos.” Segundo o autor, a pratica reflexiva não é uma metodologia de pesquisa. A autora enfatiza a necessidade de formar um docente inquiridor, investigador, questionador, reflexivo e crítico. Essa proposta trouxe novas perspectivas para a formação docente, a qual passou a enfatizar o desenvolvimento de uma atitude investigativa por parte do professor detectando problemas, procurando soluções para responder aos desafios da prática, atribuindo ou não a esta busca , o rótulo de pesquisa.
No capítulo 2, A complexa relação entre Professor e a pesquisa, a autora, Menga Lüdke, se detém em investigar a prática da pesquisa na escola básica, com base em depoimentos de professores sobre a sua vivência, os quais pareciam divididos entre uma perspectiva acadêmica e outra voltada para a prática docente. Os entrevistados relataram a falta de preparação para a pesquisa, em sua formação acadêmica e foi constatado que as condições para a prática da pesquisa .... é insuficiente. A autora acaba questionando se a pesquisa é de fato importante, necessária e possível. Conclui o seu texto afirmando que a pesquisa é muito importante para a formação e o trabalho do professor; quanto a necessidade, a autora diz que, o professor que não tiver acesso a pesquisa , terá menos recursos para questionar a sua prática, e que para ser possível deve-se usar um pouco de utopia que impulsione a coragem e a disposição.
No capítulo 3, Pesquisa, formação e prática, a autora Marli André, salienta que além da pesquisa ser um elemento essencial, na formação do professor, ela deve fazer parte da vida profissional deste professor quando ele se envolve em projetos na escola e na sala. Ensino e pesquisa são atividades que exigem conhecimentos,habilidades e atitudes diferentes. A Proposta de diretrizes para a formação inicial de professores de educação básica em cursos de nível superior, de 2001, incluiu a pesquisa como elemento essencial na formação do profissional do professor e destaca a importância da atitude reflexiva do professor, com domínio de procedimentos de investigação científica e ressalta que o papel do professor é desenvolver uma postura investigativa em seus alunos. O documento acaba por separar a pesquisa acadêmica ou cientifica e a pesquisa do professor, e acaba por criar uma dicotomia entre a pesquisa acadêmica e a pesquisa do professor, vedando a possibilidade de que o professor possa fazer pesquisa acadêmica ou científica.
O capítulo 4, A Pesquisa: Esboço de uma análise, trata-se de uma reprodução do artigo que J. Beillerot escreveu para a revista francesa, Recherche et Formation, onde aborda questões polemicas como: Professor ou Pesquisador? Conhecimentos científicos ou práticos? Ensino ou Pesquisa? Estas questões são bem relevantes para a reflexão sobre o que é pesquisa. O autor constata que a pesquisa é empregada em inúmeros campos de práticas sociais, mas que aquilo que se encontra por acaso não pode ser considerado pesquisa, ou seja, nem toda descoberta poderá ser relacionada com a pesquisa. Também foi constatado que é preciso três procedimentos para se reconhecer uma pesquisa: a produção de conhecimento novo; a produção rigorosa de encaminhamento e a comunicação de resultados.
No capitulo 5, As pesquisas nas áreas específicas influenciando o curso de formação de professores de Magda Soares, propõe uma reflexão sobre a influencia que as pesquisas em áreas específicas devem exercer nos cursos de formação dos professores. Professor não é apenas aquele que ensina em uma determinada área, mas também aquele que atua na instituição social, política e cultural, que é a escola, participando das lutas políticas que se travam nela e por ela, e das experiências que ensinam tanto quanto as áreas específicas em que ensinam. Formar o professor não é apenas qualificá-lo em uma determinada área, mas também formá-lo para enfrentar e construir a ação educativa escolar em sua totalidade.
No capítulo 6, Formação de Professores e pesquisa : uma relação possível?de Verbena Lisita, Dalva Rosa, Noêmia Lipovetsky, as autoras defendem a partir de estudos feitos em escolas municipais de Goiânia, a formação de professores que pesquisam e produzem conhecimentos sobre a sua vivencia pedagógica, e discutem a possibilidade da pesquisa oportunizar condições para a prática reflexiva. A partir dos anos 70, a idéia era de que os professores deveriam transformar suas práticas por meio de suas próprias reflexões.
No Capítulo 7, O Professor Pesquisador e sua Pretençao de resolver a relação entre a teoria e a prática na formação dos professores, a autora Marília Gouveia de Miranda afirma que é necessário formar professores que correspondam às exigencias desse novo mundo, por que a escola que já era insuficiente não consegue mais corresponder às exigencias para um bom desemprenho docente.a autora também faz menção ao fato de que se não for garantida uma formação teórica sólida, preocupada também com as grandes questões da cultura e da sociedade, o exercíco da pesquisa pode se converter numa ação vazia de significados.

ANDRÉ,Marli.(Org.)O Papel da Pesquisa na formação dos professores.Campinas, SP: Papirus, 2001.4a. ediçao. (Série Pedagógica).

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