O papel da pesquisa na formação e na prática dos professores.
No capítulo
I, Dilemas e perspectivas na relação entre ensino e pesquisa, a autora Lucíola
L. C. P. Santos, trata sobre os professores dos cursos de graduação, salientando
a falta de integração entre o seu campo de investigação e as disciplinas que
lecionam, pois deixam de lado pontos principais do curso, centralizando o
trabalho apenas em torno da sua área de pesquisa. Ensinar exige habilidades
diferentes de pesquisar, professor e pesquisador tem trajetórias distintas. Para
Foster (1990 p.15), pesquisar e ensinar, são tarefas distintas que dependem de
diferentes tipos de conhecimentos, habilidades e disposições. Há quem se oponha,
e defenda a pesquisa como elemento essencial no trabalho docente e, que os
cursos de formação docente devem voltar seus currículos para a preparação dos
professores para o exercício dessa atividade. Shön, (1987 p.16), diz que “o
profissional reflexivo trabalha de forma tão rigorosa quanto o pesquisador e,
uma vez que procura identificar problemas e implementar alternativas de solução,
registrando e analisando dados, o que faz com que a atividade profissional deixe
de ser distinta da atividade de pesquisa.” Nesse sentido, o professor deve
trabalhar como um pesquisador, identificando problemas de ensino, construindo
propostas de solução com base na literatura e em sua experiência, colocando em
ação as alternativas planejadas, observando e analisando os resultados obtidos,
corrigindo percursos que se mostram pouco satisfatórios. Cochran Smith e Lytle,
(1990 p.16 ) escreveram um artigo que ressaltou a importância da pesquisa na
formação e no desenvolvimento profissional do professor e nos projetos de
reforma das escolas e o desenvolvimento de teorias e conceitos que fundamentam
esse tipo de pesquisa. Há diferentes concepções que tratam sobre a natureza e o
papel da pesquisa o que gera a contestação do movimento em torno da formação do
professor pesquisador. O professor pesquisador deve atuar como um agente de
mudanças, e por meio da pesquisa ele deve construir maneiras alternativas de
observar e entender o trabalho dos estudantes. As autoras questionam sobre que
tipo de conhecimento é produzido quando os professores realizam estudos sobre
sua própria escola e sala de aula, pois para elas o conhecimento então seria
puramente prático sobre como melhor conduzir o ensino. Salienta-se também
algumas habilidades necessárias ao professor pesquisador tais como: curiosidade,
vontade de encontrar explicações, criatividade, confronto entre pontos de vista
diferentes,é necessário aprender a olhar e a escutar com mais atenção, de ver
melhor o que não está claramente explicitado, de perceber que a diversidade de
pontos de vista é maior que se supõe e constatar que as situações são mais
complexas do que aparentam. O professor pesquisador aprende a refinar o ponto de
vista sobre um determinado fenômeno. Na pesquisa o professor lida com conceitos,
variáveis e hipóteses, trabalhando de forma mais sistemática com o conhecimento
teórico do que nas atividades práticas. Para Perrenoud (p.20), “Participar de
uma investigação tem sentido quando por meio dela abre-se a possibilidade de o
aluno-mestre tomar consciência da fragilidade do conhecimento, perceber
incertezas e conflitos teóricos, as lutas por recursos e as relações de poder
envolvidas nesses processos.” Segundo o autor, a pratica reflexiva não é uma
metodologia de pesquisa. A autora enfatiza a necessidade de formar um docente
inquiridor, investigador, questionador, reflexivo e crítico. Essa proposta
trouxe novas perspectivas para a formação docente, a qual passou a enfatizar o
desenvolvimento de uma atitude investigativa por parte do professor detectando
problemas, procurando soluções para responder aos desafios da prática,
atribuindo ou não a esta busca , o rótulo de pesquisa.
No capítulo
2, A complexa relação entre Professor e a pesquisa, a autora, Menga Lüdke, se
detém em investigar a prática da pesquisa na escola básica, com base em
depoimentos de professores sobre a sua vivência, os quais pareciam divididos
entre uma perspectiva acadêmica e outra voltada para a prática docente. Os
entrevistados relataram a falta de preparação para a pesquisa, em sua formação
acadêmica e foi constatado que as condições para a prática da pesquisa .... é
insuficiente. A autora acaba questionando se a pesquisa é de fato importante,
necessária e possível. Conclui o seu texto afirmando que a pesquisa é muito
importante para a formação e o trabalho do professor; quanto a necessidade, a
autora diz que, o professor que não tiver acesso a pesquisa , terá menos
recursos para questionar a sua prática, e que para ser possível deve-se usar um
pouco de utopia que impulsione a coragem e a disposição.
No capítulo 3,
Pesquisa, formação e prática, a autora Marli André, salienta que além da
pesquisa ser um elemento essencial, na formação do professor, ela deve fazer
parte da vida profissional deste professor quando ele se envolve em projetos na
escola e na sala. Ensino e pesquisa são atividades que exigem
conhecimentos,habilidades e atitudes diferentes. A Proposta de diretrizes para a
formação inicial de professores de educação básica em cursos de nível superior,
de 2001, incluiu a pesquisa como elemento essencial na formação do profissional
do professor e destaca a importância da atitude reflexiva do professor, com
domínio de procedimentos de investigação científica e ressalta que o papel do
professor é desenvolver uma postura investigativa em seus alunos. O documento
acaba por separar a pesquisa acadêmica ou cientifica e a pesquisa do professor,
e acaba por criar uma dicotomia entre a pesquisa acadêmica e a pesquisa do
professor, vedando a possibilidade de que o professor possa fazer pesquisa
acadêmica ou científica.
O capítulo 4, A Pesquisa: Esboço de uma análise,
trata-se de uma reprodução do artigo que J. Beillerot escreveu para a revista
francesa, Recherche et Formation, onde aborda questões polemicas como: Professor
ou Pesquisador? Conhecimentos científicos ou práticos? Ensino ou Pesquisa? Estas
questões são bem relevantes para a reflexão sobre o que é pesquisa. O autor
constata que a pesquisa é empregada em inúmeros campos de práticas sociais, mas
que aquilo que se encontra por acaso não pode ser considerado pesquisa, ou seja,
nem toda descoberta poderá ser relacionada com a pesquisa. Também foi constatado
que é preciso três procedimentos para se reconhecer uma pesquisa: a produção de
conhecimento novo; a produção rigorosa de encaminhamento e a comunicação de
resultados.
No capitulo 5, As pesquisas nas áreas específicas
influenciando o curso de formação de professores de Magda Soares, propõe uma
reflexão sobre a influencia que as pesquisas em áreas específicas devem exercer
nos cursos de formação dos professores. Professor não é apenas aquele que ensina
em uma determinada área, mas também aquele que atua na instituição social,
política e cultural, que é a escola, participando das lutas políticas que se
travam nela e por ela, e das experiências que ensinam tanto quanto as áreas
específicas em que ensinam. Formar o professor não é apenas qualificá-lo em uma
determinada área, mas também formá-lo para enfrentar e construir a ação
educativa escolar em sua totalidade.
No capítulo 6, Formação de
Professores e pesquisa : uma relação possível?de Verbena Lisita, Dalva Rosa,
Noêmia Lipovetsky, as autoras defendem a partir de estudos feitos em escolas
municipais de Goiânia, a formação de professores que pesquisam e produzem
conhecimentos sobre a sua vivencia pedagógica, e discutem a possibilidade da
pesquisa oportunizar condições para a prática reflexiva. A partir dos anos 70, a
idéia era de que os professores deveriam transformar suas práticas por meio de
suas próprias reflexões.
No Capítulo 7, O Professor Pesquisador e sua
Pretençao de resolver a relação entre a teoria e a prática na formação dos
professores, a autora Marília Gouveia de Miranda afirma que é necessário formar
professores que correspondam às exigencias desse novo mundo, por que a escola
que já era insuficiente não consegue mais corresponder às exigencias para um bom
desemprenho docente.a autora também faz menção ao fato de que se não for
garantida uma formação teórica sólida, preocupada também com as grandes questões
da cultura e da sociedade, o exercíco da pesquisa pode se converter numa ação
vazia de significados.
ANDRÉ,Marli.(Org.)O Papel da Pesquisa na formação dos professores.Campinas, SP:
Papirus, 2001.4a. ediçao. (Série Pedagógica).

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