sábado, 22 de junho de 2013
Aprender
“A busca do saber torna-se importante e prazerosa quando a
criança aprende brincando.”
A ÉTICA DO GÊNERO HUMANO
A ÉTICA DO GÊNERO HUMANO
Magda da Silva Pinalli Savaris *
No
capítulo VII, A Ética do Gênero Humano, do livro Os Sete Saberes Necessários à
Educação do Futuro, o escritor Edgar Morin salienta que a base para ensinar a
ética do futuro é a tríade indivíduo, sociedade, espécie emergindo desse
conjunto a consciência e o espírito humano.
A
antro-poética, além de ser a base para ensinar a ética
no futuro, nos orienta em como assumir a missão antropológica do milênio
em vários aspectos, tais como humanizar a humanidade, obedecer e guiar a vida,
respeitar as diversidades, desenvolver a ética da solidariedade, da compreensão
e, do gênero humano, acreditando com
esperança na completude da humanidade, como consciência e cidadania planetária.
Morin
cita que “A democracia favorece a relação rica e complexa entre
indivíduo/sociedade [...]” (p. 107), relação essa que permite controlar o poder
e reduzir a servidão, compreendendo que a mesma é muito mais que apenas um
regime político já que produz indivíduos responsáveis e conscientes da sua
missão antropológica.
Os
principais aspectos da democracia são diversidade e antagonismos que lhe
conferem sua vitalidade e produtividade, os quais só se expandem respeitando as
regras democráticas, nesse contexto podem compreender a liberdade de opinião e
de expressão de cada indivíduo seguindo o ideal:
Liberdade/Igualdade/Fraternidade.
A decisão do povo é limitada pelas decisões dos eleitos, portanto a
democracia só existe nesse cenário para escolher quem irá representar o povo,
mas não para realizar necessariamente as expectativas deles.
A
democracia só é legitimada quando o respeito às opiniões individuais no
conjunto chegam a um consenso. Além disso, as democracias existentes são
frágeis e inacabadas devido ainda comportarem carências e lacunas, pois não estão disseminadas por todos os países.
Analisando
friamente o percurso da democracia nos países mais desenvolvidos percebe-se uma
concentração de conhecimento restrito a poucos, enquanto a grande maioria da
população permanece ignorante, toda essa situação contribui para o
enfraquecimento do civismo impossibilitando a geração da democracia. “A
humanidade é sobre tudo uma noção ética: é o que deve ser realizado por todos e
em cada um.” (p. 114). Portanto, a humanidade deve remeter-se sempre a tríade
indivíduo/sociedade/espécie em busca da hominização na humanização pelo acesso
a cidadania terrena. (p.115).
REFERÊNCIA
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à
educação do futuro. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2006.
Atividades para serem desenvolvidas com surdos
Magda da Silva Pinalli Savaris *
Caixinha Surpresa
- Trabalhar com caixas de diversos tamanhos e colocá-las uma dentro da outra. Dentro da última caixa tem sempre um objeto. A criança vai manusear bem a caixa e balançar para escutar. Depois, fazem-se perguntinhas: “faz barulho?”, “é pesado ou leve?” Em seguida abrir uma caixa após a outra e adivinhar o objeto.
- Pintura com giz de cera em espaços delimitados com barbantes.
Colocar barbante no contorno de desenhos que devem
ter forma simples para ser mais facilmente percebido pelo aluno e o mesmo
deverá pintar no espaço delimitado pelo barbante e identificá-lo.
- Sair com os alunos no pátio da escola para coletar folhas, flores e galhos de árvores. Voltar para a sala de aula e montar no chão uma árvore com o material que foi coletado.
- A professora fará um desenho com giz no chão da sala. O aluno deverá contornar o mesmo caminhando com a ajuda de outro colega, onde irá orientá-lo em relação a lateralidade.
- O apito
Em forma de círculo um aluno estará com um apito, o
mesmo ficará apitando. O outro identificará de qual direção vem o som e assim
tentará seguir até o mesmo e segurá-lo.
O JOGO E A APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA
O
JOGO E A APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA
Magda da Silva Pinalli Savaris*
É fato que as crianças aprendem
brincando ou jogando, assim como aprendem com qualquer tipo de experiência,
mesmo que inconstante. Lieberman dizia que o lúdico é um traço da personalidade
que persiste da infância até a juventude e idade adulta, com função muito
importante no estilo cognitivo dos indivíduos. (apud ROSAMILHA, 1979, p.75).
As crianças até três anos vivem a
fase que Piaget chamou de anomia, e não podem compreender regras, elas fazem as
atividades, ajudam em casa, não pelas ações e sim pelos que lhes é interessante
e divertido.
A partir dos quatro anos, é que
começam a buscar benefícios através do jogo, e é aí que o jogo pode contribuir
para desenvolver formas mais complexas de pensamento, na medida em que são
levadas a se empenharem em refletir sobre seu procedimento.
É neste contexto que, se ressalta o
papel do educador infantil, constituindo-se como um saudável pente entre a
brincadeira e as reflexões sobre a mesma e, assim atuando como facilitador de
discussões entre os jogadores, que coletivamente constituirão a sua
aprendizagem.
Entre os elementos facilitadores da
aprendizagem, podemos destacar a motivação, a curiosidade, a alegria da
descoberta, a satisfação pelos resultados alcançados, o elogio, o bom e o
estimulante ambiente, a empatia do professor e a simpatia dos colegas e tudo
isso é resumido nas expressões: afetividade e ternura.
O jogo propicia a interação de todos
os elementos facilitadores, que envolvem a afetividade. “Saberes não são coisas
que vêm de fora ou se captam do meio, mas sim, processo interativo de
construção e reconstrução interior e, dessa forma, jamais será cópia da
realidade”. (ANTUNES, 2003, p.33). Os
jogos têm imenso valor educacional. Quando conduzidos em grupos, proporcionam
aprendizagem de forma muito mais eficiente que os tradicionais exercícios em
folha mimeografada.
Com base nos princípios da educação
construtivista, diz-se que:
Os jogos em grupo também promovem o
desenvolvimento da inteligência e estimulam o crescimento da capacidade de
cooperação entre as crianças; ao trabalhar em pequenos grupos, as crianças
precisam acompanhar o raciocínio de seus colegas e desenvolver estratégias para
poderem permanecer no jogo, ou vencer. (FACCHINI, 1992, p.12).
A
criança aprende em seu desenvolvimento, muito mais pela coordenação, pela
estimulação do raciocínio, ou pela reflexão sobre diferentes pontos de vista,
pela colaboração, cooperação e afetividade proporcionadas pelos jogos, do que
pelas lições de quadro-verde ou de livros didáticos.
O jogo é um fantástico e excelente
instrumento, pois ao jogar a criança reconstrói-se e se auto-descobre, pois
mobiliza as estruturas da afetividade e da imaginação criadora.
O excesso de imobilidade, de
passividade, repetição e repressão social inibem a criança de fazer acontecer
na sua atividade lúdica as suas fantasias.
O jogo põe em função, de maneira extremamente variada,
todas as possibilidades da criança: força muscular, flexibilidade das
articulações, resistência ao cansaço, respiração, precisão de gesto,
habilidade, rapidez de execução, agilidade, prontidão de respostas, reflexos,
espairecimento, equilíbrio, etc. (JACQUIN, apud ROSAMILHA, 1979, p.65).
No
jogo, as crianças aprendem quem são, aprendem quais são os papeis das pessoas
que as cercam e tornam-se familiarizadas com a cultura e os costumes da
sociedade. Elas começam a raciocinar, a desenvolver o pensamento lógico, a
expandir seus vocabulários e a descobrir relações matemáticas e fatos
científicos.
Os jogos também desenvolvem o senso
de competência. A competência leva a confiança e senso de eficácia, diminui a
ansiedade e melhora o auto-respeito. “No jogo, a criança não coloca seu corpo,
mas a imagem de seu corpo, e essa imagem pode ser destruída e reconstruída”.
(SCHILDER apud ROSAMILHA, 1979, p.79).
PODER E DESEJO : A TRANSFERÊNCIA NA RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO
PODER E DESEJO :
A TRANSFERÊNCIA NA RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO
•
Transferência.
•
A interpretação dos sonhos.
•
A figura do analista também funcionava como um resto
diurno.
•
É uma manifestação do inconsciente, que constitui, por
isso, mesmo, um bom instrumento da análise desse inconsciente.
Relação médico-paciente, Freud se deu conta da constância
com que a transferência também ocorria nas diferentes relações estabelecidas
pelas pessoas no decorrer de suas vidas. Entendidas como “a repetição de
protótipos infantis vivida com uma sensação de atualidade acentuada” , nada
impede que a transferência se dirija ao analista ou a qualquer outra pessoas.
Trata-se de um fenômeno que permeia qualquer relação humana.
QUE SÃO TRANSFERÊNCIAS?
“São
reedições dos impulsos e fantasias despertadas e tornadas conscientes durante o
desenvolvimento da análise e que trazem
como singularidade característica a substituição de uma pessoa anterior
pela pessoa do médico. Ou para dizê-lo
de outro modo: toda uma série de acontecimentos psíquicos ganha vida
novamente,agora não mais como passado,mas como relação atual com a pessoa do
médico”
Assim, um professor pode tornar-se a figura a quem serão
endereçados os interesses de seu aluno porque é objeto de uma transferência.
E
o que se transfere são as experiências vividas primitivamente com os pais.
Parafraseando,podemos dizer que na relação professor-aluno,
a transferência se produz quando o desejo de saber do aluno se aferra a um
elemento particular, que é a pessoa do professor.
Transferir
é então atribuir um sentido especial àquela figura determinada pelo desejo.
Depositários
de algo que pertence ao analisando ou ao aluno. Em decorrência dessa “posse”,
tais figuras ficam inevitavelmente carregadas de uma importância especial.
É dessa importância que emana o poder que inegavelmente têm sobre o indivíduo.
Assim,
em razão dessa transferência de sentido operada pelo desejo, ocorre também uma
transferência de poder.
Significa que o professor, colhido pela transferência, não são
exteriores ao inconsciente do sujeito, mas o que quer que digam será escutado a
partir desse lugar onde estão colocados. Sua fala deixa de ser inteiramente objetiva, mas é escutada através
dessa especial posição que ocupa no inconsciente do sujeito.
A idéia de transferência mostra aquele professor em especial
em especial foi” investido” pelo desejo daquele aluno. E foi a partir desse “
investimento” que a palavra, do
professor ganhou poder, passando a ser escutada!
Mas
conhecer do modo singular como se realiza esse desejo naquele aluno em especial
é,na verdade, tarefa do analista. Nem o aluno quer ,no fundo,que seu
professor saiba do desejo que o move ( nem mesmo, por sinal, pode saber dele,
já que se está falando sempre, não se pode esquecer, do desejo inconsciente, e
não do desejo, por exemplo, de se tornar geógrafo, pois esse é consciente)
Tudo o que o aluno quer é que seu professor suporte esse
lugar em que ele o colocou. Basta isso.
Ocupar o lugar
destinado ao professor pela transferência é uma tarefa um tanto incômoda, visto
que ali seu sentido enquanto pessoa é “esvaziado” para dar lugar a um outro que
ele desconhece.
O Professor no lugar de transferência.
•
O professor deve aceitar o modelo que confere o
aluno, permitindo ao aluno seguir seu curso;
•
Impor ao aluno seus próprios valores e ideias
seria abusar do poder de professor;
•
O professor deverá entender sua tarefa como uma contribuição
a formação do aluno;
•
Só o desejo do professor justifica que ele
esteja ali. Mas, estando ali ele precisa renunciar a esse desejo.
Conclusão
•
Freud pretendia ensinar como um pedagogo
clássico, queria dar uma aula e depois pedir que os alunos demonstrassem
através de prova o que assimilaram, percebeu que isso era impossível.
•
Percebeu que o inconsciente introduz em qualquer
atividade humana o imponderável, o imprevisto não havendo assim como criar uma
metodologia pedagógica.
•
O educador inspirado por idéias psicanalíticas
renuncia a uma atividade excessivamente programada, controlada com rigor obsessivo.
•
A psicanálise pode transmitir ao educador uma
ética, um modo de ver e entender sua prática educativa.
•
O encontro entre o que foi ensinado e a
subjetividade de cada um, é o que torna possível o pensamento renovado, a
criação, a geração de novos conhecimentos.
•
professor deve superar-se como figura de
autoridade para o surgimento do aluno como ser pensante.
•
Se o professor souber aceitar essa canibalização
feita sobre ele e seu saber, estará contribuindo para uma relação de
aprendizagem autêntica, assim o aluno sairá dessa relação de posse de um saber
que constituirá a base e o fundamento para futuros saberes e conhecimentos.
Modernidade Líquida.
*Resenha
do Livro: Modernidade Líquida.
**
Autoras
Arali
do Prado
Arlete
do Nascimento
Diana
Gava de Oliveira
Magda
da Silva Pinalli Savaris
Mercedes
Levinski
No livro Modernidade Líquida,( Rio de
Janeiro:Jorge Zahar Ed., 2001.255p.) Zigmunt Bauman, (sociólogo polonês, que
escapou dos horrores do holocausto, ganhador do Premio Europeu Amalf de
Sociologia, e atualmente é Professor emérito de sociologia das Universidades de
Leeds e Varsóvia ) o autor mostra como
ocorreu a passagem da modernidade sólida para a líquida, onde tudo é mais leve,
mais fluido. Os líquidos não mantém sua forma com facilidade. Não fixam o
espaço, não prendem o tempo, se movem facilmente. Era preciso derreter os
sólidos, e isso significa, antes e acima de tudo, eliminar as obrigações irrelevantes
que impediam a via do cálculo racional dos efeitos. Esse derretimento levou à
progressiva libertação da economia de seus tradicionais embaraços políticos,
éticos e culturais.
Esse derretimento dos sólidos também
acarretou no que Ulrich Beck chama de categoria zumbi e instituições zumbi, que
estão mortas e ainda vivas, como o casamento, por exemplo. Nenhum molde foi
quebrado sem ter sido substituído por outro. A tarefa dos indivíduos livres era
usar sua nova liberdade para encontrar o nicho apropriado e ali se acomodar e
adaptar.
A Modernidade começa quando o espaço e o
tempo são separados da prática da vida e entre si, e assim podem ser teorizados
como categorias distintas e mutuamente independentes da estratégia e da ação. O
espaço é o sólido, um obstáculo aos avanços do tempo. O tempo é o lado
dinâmico, ativo, a força inovadora, conquistadora e colonizadora.
Administrar significava, ainda que a
contragosto, responsabilizar-se pelo bem estar geral do lugar, imobilizando e
rotinizando os subordinados, em nome de um interesse pessoal consciente.
No
futuro anunciado pelos telefones celulares as tomadas parecem ser obsoletas e
devem ser trocadas por baterias descartáveis compradas individualmente em
lojas, postos de gasolina e quiosques de aeroportos. Essa parece ser a distopia
feita sob medida para a modernidade líquida- e capaz de substituir os terrores
dos pesadelos de Orwell e Huxley.
No capítulo I sobre Emancipação, o autor
coloca que nós devemos nos emancipar, tornar-mos independentes, libertar-nos da
sociedade, sentir-se livre na medida em que a imaginação não vai mais longe que
nossos desejos e que nem uma e nem os outros ultrapassem nossa capacidade de
agir, por em prática, efetuar, atuar. A verdade que torna os homens livres é na
maioria dos casos a verdade que os homens preferem não ouvir. A segunda,
aceitar que os homens podem não estar inteiramente equivocados, enganados
quando questionam os benefícios que as liberdades oferecidas podem lhes trazer.
A verdadeira libertação requer hoje mais, e
não menos, da “esfera pública” e do poder público. O trabalho do pensamento
crítico é trazer à luz os muitos obstáculos que se amontoam no caminho da
emancipação
O autor questiona se a Liberdade seria uma
benção ou uma maldição. Benção por que o indivíduo pode agir segundo seus
pensamentos e desejos, e Maldição por que deve arcar com a responsabilidade por
seus atos e ações.
No Capítulo 2 sobre a Individualidade, o autor diz que tudo corre agora
por conta do indivíduo. Cabe ao homem descobrir o que é capaz de fazer, esticar
essa capacidade ao máximo e escolher os fins a que essa capacidade poderia
melhor servir. Para que as possibilidades continuem infinitas, nenhuma deve ser
capaz de petrificar-se em
realidade. Melhor que permaneçam líquidas, fluídas, finitas.
Viver em meio a chances aparentemente infinitas tem o gosto doce da “liberdade
de tornar-se qualquer um”. Esse tornar-se
sugere que nada está acabado e temos tudo pela frente. A infelicidade dos
consumidores deriva do excesso e não da falta da escolha. Caracteriza-se como
uma alegria duvidosa, dada a incerteza perpétua e um desejo que nunca saciará. Não faltam ainda pessoas que têm milhões de seguidores identificados
pelo autor como conselheiros. O papel de um exemplo na sociedade tem a importância
quando olhando para a experiência de outras pessoas, as vezes esperamos
descobrir e localizar os problemas que causaram nossa própria infelicidade,
dar-lhes um nome e, portanto, saber para onde olhar para encontrar meios de
resistir a eles ou resolvê-los.
Uma celebridade é uma pessoa
conhecida por ser muito conhecida por estar em
vários programas, mas são tão comuns que às vezes são desvalidas e infelizes
quantos os espectadores. Procurar exemplos, conselho é um vício e todos
os vícios são auto-destrutivos, destroem a possibilidade de se chegar à
satisfação.
A compulsão transformada em vício de comprar é uma luta
contra a incerteza aguda e contra um sentimento de insegurança incomodante. Os
consumidores provavelmente estão correndo atrás de sensações agradáveis e
reconfortantes. Mas também estão tentando escapar da agonia, do medo do erro,
da incompetência. Por isso, o comprar compulsivo é um ritual para exorcizar
essas terríveis aparições.
No Capítulo 3 sobre
Tempo e espaço, o autor comenta que a principal características da civilidade é a capacidade de
interagir com estranhos sem utilizar essa estranheza contra e sem pressioná-los
a abandoná-la ou a renunciar a alguns dos traços que os fazem estranhos
A capacidade de conviver com a
diferença, sem falar na capacidade de gostar dessa vida e beneficiar-se dela,
não é fácil de adquirir e não se faz sozinha.
A modernidade é, talvez mais que
qualquer outra coisa, a história do tempo:a modernidade é o tempo em que o
tempo tem uma história
O tempo é diferente do espaço
porque, ao contrário deste, pode ser mudado e manipulado; tornou-se um fator de
disrupção : o parceiro dinâmico no casamento tempo-espaço.
Benjamin Franklin disse que tempo é
dinheiro; o tempo se tornou dinheiro depois de se ter tornado uma ferramenta (ou
arma?) voltada principalmente a vencer a resistência do espaço.
Milan Kundera retratou “a
insustentável leveza do ser” como o centro da tragédia do mundo moderno.
Pessoas com as mãos livres mandam
em pessoas com as mãos atadas; a liberdade das primeiras é a causa principal da
falta de liberdade das últimas- ao mesmo tempo que a falta de liberdade das
últimas é o significado último da liberdade das primeiras.
E os homens e mulheres do presente
se distinguem de seus pais vivendo num presente “ que quer esquecer o passado e
não parece mais acreditar no futuro”.
No Capítulo 4, sobre Trabalho, Bauman nos
mostra que é preciso ter os pés bem plantados no presente, tendo em vista que o
indivíduo que tem o poder sobre o presente, pode expanndir-se no futuro e quem
sabe até declinar do passado. O trabalho mudou de caráter e não pode mais
oferecer o eixo seguro em torno do qual envolver e fixar autodefinições,
identidades e projetos de vida, nem como fundamento ético da sociedade, ou como
eixo ético da vida individual. Passou a adquirir significação, principalmente,
estética. Raramente se espera que o trabalho “enobreça” os que o fazem, fazendo
deles “seres humanos melhores” e raramente alguém é admirado e elogiado por
isso.
A vida do trabalho está saturada de incertezas
e compromissos do tipo “até que a morte nos separe” e se transformam em
contratos do tipo “enquanto durar a satisfação”. Os antigos funcionários do
longo prazo, agora no curto prazo, são colaboradores. Mantendo um laço menos
com a empresa. O autor sugere um progresso sustentado na autoconfiança em si
mesmo e no desenvolvimento.
Somos dotados de tudo de que todos precisam
para tomar o caminho certo que, uma vez escolhido, será o mesmo para todos.
No capítulo 5, Comunidade, Bauman diz que,
Vivemos em comunidade antes mesmo que os homens começassem a exercitar seus
cérebros para criar o melhor código de convívio que sua razão podia sugerir –
eles já tinham uma história e costumes (coletivamente seguidos). Ela sempre
existiu. Mas, na medida em que precisam ser defendidas para sobreviver e apelar
para seus próprios membros para que assegurem essa sobrevivência com suas
escolhas individuais e assumam responsabilidade individual por essa
sobrevivência; acaba por ocorrem mais projetos que realidade.
O comunitarismo é uma reação esperável à
aceleração “liquefação” da vida moderna. Um aspecto muito visível do
desaparecimento das velhas garantias é a nova fragilidade dos laços humanos,
podendo ser um preço inevitável do direito dos indivíduos perseguirem seus
objetivos individuais. Com ele a promessa de um porto seguro, o destino dos
sonhos dos marinheiros perdidos no mar turbulento da mudança constante, confusa
e imprevisível. O comunitarismo aceitou que existe oposição entre dois valores
humanos : liberdade e segurança. E ficou firme ao lado do último.
Hoje: “qual o valor de nossos prazeres
individuais, tão curtos e vazios?”; (modernidade líquida). A nova solidão de
corpo e comunidade é o resultado de um amplo conjunto de mudanças importantes
(modernidade líquida). Pois estamos órfãos do Estado-nação. Há pouca esperança
de resgatar os serviços; está mais para: faça-você-mesmo. Vernet: “Não se
pode resolver o problema das minorias com bombas. As explosões deixam o diabo à
solta dos dois lados”. A globalização parece ter mais
sucesso em aumentar o vigor da inimizade e da luta intercomunal do que em
promover a coexistência pacífica das comunidades.
Temos escolhas. Uma delas é aprender a
difícil arte de viver com a diferença ou produzir condições tais que façam desnecessário
esse aprendizado. Pois, não há afirmação que não seja autoafirmação, nem
identidade que não seja construída. O “nós” é hoje um ato de autoproteção. O
desejo de comunidade é defensivo contra a confusão e o deslocamento. Como
também remete a ideia de um sentimento de que o “nós” expresse um desejo de
semelhança como um modo de evitar olhar mais profundo nos olhos dos outros.
“As
diferenças nascem quando a razão não está inteiramente desperta ou voltou a
adormecer”. Somos dotados de tudo de que todos precisam para tomar o
caminho certo que, uma vez escolhido, será o mesmo para todos. Libertar o poder
da razão humana significa libertar o indivíduo de tudo isso.
Referência Bibliográfica:
BAUMAN, Zigman. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro:Jorge Zahar
Ed., 2001.
* Resenha solicitada
como parte da avaliação da disciplina de Sociologia dos Processos
Sócio-educativos. Titular Professora Consuelo Cristine Piaia.
** Acadêmicas do Curso
de Pedagogia _ PARFOR _ nível 2 _ UPF _ FAED/ 2011.
Escola cidadã _ Moacir Gadotti
Escola cidadã _
Moacir Gadotti
Na organização deste sistema de
ensino proposto, as escolas centrais transformando-se em cooperativas de
professores, algumas formariam escolas individuais, outras reuniriam escolas de
uma mesma região, os professores se fixariam nas diversas comunidades,
possibilitando a cobrança, que hoje é impossível.
Assim seriam extintos os órgãos
centrais da gestão da educação _ as Delegacias Regionais de Ensino, cuja a
razão da existência é inexplicável. O Ministério da Educação e as Secretarias
teriam como função o pagamento das escolas.
Abramo sugere que as escolas
sejam remuneradas com base na população escolar, “tantos alunos, tantos
cruzeiros”. Caberia a cada escola como pagar seus professores e como gerir os
recursos recebidos, permitindo-lhes captar dinheiro adicional, na comunidade, o
que hoje é vetado por lei.
Não podemos atribuir à falta de
recursos e à extrema pobreza em que vive a nossa população o nosso atraso
educacional. A falência do ensino brasileiro está enraizada no desanimo e falta
de perspectiva do magistério, a perplexidade diante da burocracia que imobiliza
as escolas tornando-as dependentes de uma resposta “de cima”que não vem.
Há uma camada de burocratas
incrustada no sistema de ensino que desconcentra as tarefas educacionais, mas
concentrando o poder de decisão ou propondo a privatização dos serviços
educacionais, jogando a responsabilidade nos indivíduos.
O sindicalismo educacional
corporativista se concentra na luta por melhorias salariais e fortalecimento de
um estado burocrático. Essas duas forças apoiadas em ideologias antagônicas,
tem propostas idênticas de solução, que não escapam dos empecilhos
burocráticos.
A questão essencial da escola
hoje refere-se à sua qualidade, que está diretamente relacionada com os
pequenos projetos das próprias escolas que são muito mais eficazes na conquista
dessa qualidade de que grandes projetos, mas anônimos, distante do dia-a-dia
das escolas.
Isso por que só as escolas
conhecem de perto a comunidade e seus projetos podem dar respostas concretas à
problemas concretos de cada uma delas :
- assim podem respeitar as peculiaridades éticas e culturais de cada região;
- os projetos tem menos gastos com burocracia;
- a própria comunidade pode avaliar de perto os resultados.
Essa nova escola está sendo
construída na resistência concreta de muitos educadores, pais , alunos,
funcionários. Escolas onde crianças sentem prazer em ir, em estudar, “prazer em
construir a cultura elaborada”. Essa escola não será abandonada pelas crianças,
pois ninguém larga, nem abandona o que é seu e o que gosta.
Modernidade Líquida _ Autor: BAUMAN, ZYGMUNT
Modernidade Líquida _ Autor: BAUMAN, ZYGMUNT
•
Prefácio
_ Ser Leve e Líquido _ Magda
•
Fluidez, os líquidos diferentemente dos sólidos
não mantém sua forma com facilidade. Não fixam o espaço, não prendem o tempo.
•
Os fluídos se movem facilmente.
•
Os tempos modernos encontram os sólidos pré
modernos em estado avançado de
desintegração.
•
Derreter os sólidos, significava, antes e acima
de tudo, eliminar as obrigações irrelevantes que impediam a via do cálculo
racional dos efeitos.
•
O derretimento dos sólidos levou à progressiva
libertação da economia de seus tradicionais embaraços políticos, éticos e
culturais.
•
Ulrich Beck, falava em categorias zumbi e
instituições zumbi, que estão mortas e ainda vivas.
•
Nenhum molde foi quebrado sem ter sido
substituído por outro.
•
A tarefa dos indivíduos livres era usar sua nova
liberdade para encontrar o nicho apropriado e ali se acomodar e adaptar
•
A modernidade começa quando o espaço e o tempo
são separados da prática da vida e entre si, e assim podem ser teorizados como
categorias distintas e mutuamente independentes da estratégia e da ação.
•
A moderna luta entre o tempo e o espaço.
•
O segredo
do poder dos administradores.
•
Administrar significa, ainda que a
contragosto, responsabilizar-se pelo bem-estar geral do lugar, mesmo que em
nome de um interesse pessoal consciente.
•
No Panóptico, o que importava era que os encarregados estivessem lá, próximos, na
torre de controle.
•
Jim MacLauglin nos lembrou recentemente de que o
advento da era moderna significou, entre outras coisas, o ataque consistente e
sistemático dos “assentados”, convertidos ao modo sedentário de vida, contra os
povos e o estilo de vida nômades, completamente alheios às preocupações
territoriais e de fronteiras do emergente.
•
A elite global contemporânea é formada no padrão
do velho estilo dos “senhores ausentes”.
•
Fixar-se ao solo não é tão importante se o solo
pode ser alcançado e abandonado à vontade, imediatamente ou em pouquíssimo
tempo.
•
A desintegração da rede social, a derrocada das
agências efetivas de ação coletiva.
•
Os poderes globais se inclinam a desmantelar
tais redes em proveito de sua contínua e crescente fluidez, principal fonte de
sua força e garantia de sua invencibilidade.
•
A longo prazo as tomadas serão provavelmente
banidas e suplantadas por baterias descartáveis compradas individualmente nas
lojas e em oferta em cada quiosque de aeroporto e posto de gasolina ao longo
das estradas.
Gestão do Conhecimento: O papel do Pedagogo nas Organizações Empresariais.
Gestão do
Conhecimento: O papel do Pedagogo nas Organizações Empresariais.
O estudo da
acadêmica Joyce Marinho e da Professora Neuci Camargo, teve como objetivo,
investigar a função do pedagogo no desenvolvimento dos funcionários no setor
empresarial. Empresa e Pedagogo têm o mesmo objetivo que é formar cidadãos
críticos com competências para tal função.
Vivemos numa
sociedade denominada do futuro, descrita como sociedade do conhecimento, onde
para garantir a sobrevivência necessitamos continuamente do aprendizado, e a
presença do pedagogo se faz necessária tendo em vista a formação inicial
incompleta dos funcionários.
Para Trindade,
2007, é preciso analisar individualmente, pois cada funcionário responde de
forma diferente aos mesmos estímulos. As inspirações de cada indivíduo do grupo
é que tornam a equipe construtiva, fazendo com que os profissionais tenham
prazer no trabalho, prazer este que é o combustível da produtividade.
Greco, 2005
diz que com o ambiente organizacional contemporâneo requer um trabalhador
pensante, criativo, pro-ativo, analítico, com habilidade para resolução de
problemas e tomadas de decisões, capacidade de trabalho em equipe e em total
contato com a rapidez de transformação e a flexibilidade dos tempos atuais.
Pedagogo
Empresarial, um profissional que contém conhecimentos de economia, filosofia,
psicologia e sociologia, capaz de observar e analisar as reais deficiências e
necessidades do seu local de trabalho, além de pesquisar, elaborar e implantar
um projeto voltado para o conhecimento e/ou aprimoramento das técnicas de
trabalho, conduzindo as pessoas envolvidas através de planejamentos,
organização de materiais e ideias, objetivo, metas e total flexibilidade até a
obtenção dos resultados esperados.
Esse Pedagogo Empresarial,
através da motivação, tem como função facilitar e provocar mudanças de comportamentais,
tornando assim o trabalhador mais criativo, motivado e capaz de tomar decisões
rápidas e de qualidade. Funcionário motivado, cresce e produz muito melhor.
Não vejo sentido, naquilo que não possui sentimento
Sou além da carne, sou alma,vontade,desejo...
E nem a escuridão do meu quarto, me fascina senão haver o brilho
Da tua aura, me guiando seguro entre teus braços
Onde então me prendo ate deitar no teu colo.
E entre nossos afagos, sinto tua boca a me beijar
E tuas mãos a conduzir o ato como uma sinfonia.
A sinfonia do nosso amor...
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