sábado, 22 de junho de 2013

Escola cidadã _ Moacir Gadotti



Escola cidadã  _  Moacir Gadotti

Na organização deste sistema de ensino proposto, as escolas centrais transformando-se em cooperativas de professores, algumas formariam escolas individuais, outras reuniriam escolas de uma mesma região, os professores se fixariam nas diversas comunidades, possibilitando a cobrança, que hoje é impossível.
Assim seriam extintos os órgãos centrais da gestão da educação _ as Delegacias Regionais de Ensino, cuja a razão da existência é inexplicável. O Ministério da Educação e as Secretarias teriam como função o pagamento das escolas.
Abramo sugere que as escolas sejam remuneradas com base na população escolar, “tantos alunos, tantos cruzeiros”. Caberia a cada escola como pagar seus professores e como gerir os recursos recebidos, permitindo-lhes captar dinheiro adicional, na comunidade, o que hoje é vetado por lei.
Não podemos atribuir à falta de recursos e à extrema pobreza em que vive a nossa população o nosso atraso educacional. A falência do ensino brasileiro está enraizada no desanimo e falta de perspectiva do magistério, a perplexidade diante da burocracia que imobiliza as escolas tornando-as dependentes de uma resposta “de cima”que não vem.
Há uma camada de burocratas incrustada no sistema de ensino que desconcentra as tarefas educacionais, mas concentrando o poder de decisão ou propondo a privatização dos serviços educacionais, jogando a responsabilidade nos indivíduos.
O sindicalismo educacional corporativista se concentra na luta por melhorias salariais e fortalecimento de um estado burocrático. Essas duas forças apoiadas em ideologias antagônicas, tem propostas idênticas de solução, que não escapam dos empecilhos burocráticos.
A questão essencial da escola hoje refere-se à sua qualidade, que está diretamente relacionada com os pequenos projetos das próprias escolas que são muito mais eficazes na conquista dessa qualidade de que grandes projetos, mas anônimos, distante do dia-a-dia das escolas.
Isso por que só as escolas conhecem de perto a comunidade e seus projetos podem dar respostas concretas à problemas concretos de cada uma delas :
  • assim podem respeitar as peculiaridades éticas e culturais de cada região;
  • os projetos tem menos gastos com burocracia;
  • a própria comunidade pode avaliar de perto os resultados.
Essa nova escola está sendo construída na resistência concreta de muitos educadores, pais , alunos, funcionários. Escolas onde crianças sentem prazer em ir, em estudar, “prazer em construir a cultura elaborada”. Essa escola não será abandonada pelas crianças, pois ninguém larga, nem abandona o que é seu e o que gosta.

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