Escola cidadã _
Moacir Gadotti
Na organização deste sistema de
ensino proposto, as escolas centrais transformando-se em cooperativas de
professores, algumas formariam escolas individuais, outras reuniriam escolas de
uma mesma região, os professores se fixariam nas diversas comunidades,
possibilitando a cobrança, que hoje é impossível.
Assim seriam extintos os órgãos
centrais da gestão da educação _ as Delegacias Regionais de Ensino, cuja a
razão da existência é inexplicável. O Ministério da Educação e as Secretarias
teriam como função o pagamento das escolas.
Abramo sugere que as escolas
sejam remuneradas com base na população escolar, “tantos alunos, tantos
cruzeiros”. Caberia a cada escola como pagar seus professores e como gerir os
recursos recebidos, permitindo-lhes captar dinheiro adicional, na comunidade, o
que hoje é vetado por lei.
Não podemos atribuir à falta de
recursos e à extrema pobreza em que vive a nossa população o nosso atraso
educacional. A falência do ensino brasileiro está enraizada no desanimo e falta
de perspectiva do magistério, a perplexidade diante da burocracia que imobiliza
as escolas tornando-as dependentes de uma resposta “de cima”que não vem.
Há uma camada de burocratas
incrustada no sistema de ensino que desconcentra as tarefas educacionais, mas
concentrando o poder de decisão ou propondo a privatização dos serviços
educacionais, jogando a responsabilidade nos indivíduos.
O sindicalismo educacional
corporativista se concentra na luta por melhorias salariais e fortalecimento de
um estado burocrático. Essas duas forças apoiadas em ideologias antagônicas,
tem propostas idênticas de solução, que não escapam dos empecilhos
burocráticos.
A questão essencial da escola
hoje refere-se à sua qualidade, que está diretamente relacionada com os
pequenos projetos das próprias escolas que são muito mais eficazes na conquista
dessa qualidade de que grandes projetos, mas anônimos, distante do dia-a-dia
das escolas.
Isso por que só as escolas
conhecem de perto a comunidade e seus projetos podem dar respostas concretas à
problemas concretos de cada uma delas :
- assim podem respeitar as peculiaridades éticas e culturais de cada região;
- os projetos tem menos gastos com burocracia;
- a própria comunidade pode avaliar de perto os resultados.
Essa nova escola está sendo
construída na resistência concreta de muitos educadores, pais , alunos,
funcionários. Escolas onde crianças sentem prazer em ir, em estudar, “prazer em
construir a cultura elaborada”. Essa escola não será abandonada pelas crianças,
pois ninguém larga, nem abandona o que é seu e o que gosta.

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