sábado, 22 de junho de 2013

Modernidade Líquida.



*Resenha do Livro: Modernidade Líquida.



** Autoras
Arali do Prado
Arlete do Nascimento
Diana Gava de Oliveira
Magda da Silva Pinalli Savaris
Mercedes Levinski

No livro Modernidade Líquida,( Rio de Janeiro:Jorge Zahar Ed., 2001.255p.) Zigmunt Bauman, (sociólogo polonês, que escapou dos horrores do holocausto, ganhador do Premio Europeu Amalf de Sociologia, e atualmente é Professor emérito de sociologia das Universidades de Leeds e Varsóvia )  o autor mostra como ocorreu a passagem da modernidade sólida para a líquida, onde tudo é mais leve, mais fluido. Os líquidos não mantém sua forma com facilidade. Não fixam o espaço, não prendem o tempo, se movem facilmente. Era preciso derreter os sólidos, e isso significa, antes e acima de tudo, eliminar as obrigações irrelevantes que impediam a via do cálculo racional dos efeitos. Esse derretimento levou à progressiva libertação da economia de seus tradicionais embaraços políticos, éticos e culturais.
Esse derretimento dos sólidos também acarretou no que Ulrich Beck chama de categoria zumbi e instituições zumbi, que estão mortas e ainda vivas, como o casamento, por exemplo. Nenhum molde foi quebrado sem ter sido substituído por outro. A tarefa dos indivíduos livres era usar sua nova liberdade para encontrar o nicho apropriado e ali se acomodar e adaptar.
A Modernidade começa quando o espaço e o tempo são separados da prática da vida e entre si, e assim podem ser teorizados como categorias distintas e mutuamente independentes da estratégia e da ação. O espaço é o sólido, um obstáculo aos avanços do tempo. O tempo é o lado dinâmico, ativo, a força inovadora, conquistadora e colonizadora.
 Administrar significava, ainda que a contragosto, responsabilizar-se pelo bem estar geral do lugar, imobilizando e rotinizando os subordinados, em nome de um interesse pessoal consciente.
  No futuro anunciado pelos telefones celulares as tomadas parecem ser obsoletas e devem ser trocadas por baterias descartáveis compradas individualmente em lojas, postos de gasolina e quiosques de aeroportos. Essa parece ser a distopia feita sob medida para a modernidade líquida- e capaz de substituir os terrores dos pesadelos de Orwell e Huxley.
No capítulo I sobre Emancipação, o autor coloca que nós devemos nos emancipar, tornar-mos independentes, libertar-nos da sociedade, sentir-se livre na medida em que a imaginação não vai mais longe que nossos desejos e que nem uma e nem os outros ultrapassem nossa capacidade de agir, por em prática, efetuar, atuar. A verdade que torna os homens livres é na maioria dos casos a verdade que os homens preferem não ouvir. A segunda, aceitar que os homens podem não estar inteiramente equivocados, enganados quando questionam os benefícios que as liberdades oferecidas podem lhes trazer.
A verdadeira libertação requer hoje mais, e não menos, da “esfera pública” e do poder público. O trabalho do pensamento crítico é trazer à luz os muitos obstáculos que se amontoam no caminho da emancipação
O autor questiona se a Liberdade seria uma benção ou uma maldição. Benção por que o indivíduo pode agir segundo seus pensamentos e desejos, e Maldição por que deve arcar com a responsabilidade por seus atos e ações.
   No Capítulo 2 sobre a Individualidade, o autor diz que tudo corre agora por conta do indivíduo. Cabe ao homem descobrir o que é capaz de fazer, esticar essa capacidade ao máximo e escolher os fins a que essa capacidade poderia melhor servir. Para que as possibilidades continuem infinitas, nenhuma deve ser capaz de petrificar-se em realidade. Melhor que permaneçam líquidas, fluídas, finitas. Viver em meio a chances aparentemente infinitas tem o gosto doce da “liberdade de tornar-se qualquer um”. Esse tornar-se sugere que nada está acabado e temos tudo pela frente. A infelicidade dos consumidores deriva do excesso e não da falta da escolha. Caracteriza-se como uma alegria duvidosa, dada a incerteza perpétua e um desejo que nunca saciará. Não faltam ainda pessoas que têm milhões de seguidores identificados pelo autor como conselheiros. O papel de um exemplo na sociedade tem a importância quando olhando para a experiência de outras pessoas, as vezes esperamos descobrir e localizar os problemas que causaram nossa própria infelicidade, dar-lhes um nome e, portanto, saber para onde olhar para encontrar meios de resistir a eles ou resolvê-los.
Uma celebridade é uma pessoa conhecida por ser muito conhecida por estar em vários programas, mas são tão comuns que às vezes são desvalidas e infelizes quantos os espectadores. Procurar exemplos, conselho é um vício e todos os vícios são auto-destrutivos, destroem a possibilidade de se chegar à satisfação.
 A compulsão transformada em vício de comprar é uma luta contra a incerteza aguda e contra um sentimento de insegurança incomodante. Os consumidores provavelmente estão correndo atrás de sensações agradáveis e reconfortantes. Mas também estão tentando escapar da agonia, do medo do erro, da incompetência. Por isso, o comprar compulsivo é um ritual para exorcizar essas terríveis aparições.
No Capítulo 3 sobre Tempo e espaço, o autor comenta que a principal características da civilidade é a capacidade de interagir com estranhos sem utilizar essa estranheza contra e sem pressioná-los a abandoná-la ou a renunciar a alguns dos traços que os fazem estranhos
A capacidade de conviver com a diferença, sem falar na capacidade de gostar dessa vida e beneficiar-se dela, não é fácil de adquirir e não se faz sozinha.
A modernidade é, talvez mais que qualquer outra coisa, a história do tempo:a modernidade é o tempo em que o tempo tem uma história
O tempo é diferente do espaço porque, ao contrário deste, pode ser mudado e manipulado; tornou-se um fator de disrupção : o parceiro dinâmico no casamento tempo-espaço.
Benjamin Franklin disse que tempo é dinheiro; o tempo se tornou dinheiro depois de se ter tornado uma ferramenta (ou arma?) voltada principalmente a vencer a resistência do espaço.
Milan Kundera retratou “a insustentável leveza do ser” como o centro da tragédia do mundo moderno.
Pessoas com as mãos livres mandam em pessoas com as mãos atadas; a liberdade das primeiras é a causa principal da falta de liberdade das últimas- ao mesmo tempo que a falta de liberdade das últimas é o significado último da liberdade das primeiras.
E os homens e mulheres do presente se distinguem de seus pais vivendo num presente “ que quer esquecer o passado e não parece mais acreditar no futuro”.
No Capítulo 4, sobre Trabalho, Bauman nos mostra que é preciso ter os pés bem plantados no presente, tendo em vista que o indivíduo que tem o poder sobre o presente, pode expanndir-se no futuro e quem sabe até declinar do passado. O trabalho mudou de caráter e não pode mais oferecer o eixo seguro em torno do qual envolver e fixar autodefinições, identidades e projetos de vida, nem como fundamento ético da sociedade, ou como eixo ético da vida individual. Passou a adquirir significação, principalmente, estética. Raramente se espera que o trabalho “enobreça” os que o fazem, fazendo deles “seres humanos melhores” e raramente alguém é admirado e elogiado por isso. 
A vida do trabalho está saturada de incertezas e compromissos do tipo “até que a morte nos separe” e se transformam em contratos do tipo “enquanto durar a satisfação”. Os antigos funcionários do longo prazo, agora no curto prazo, são colaboradores. Mantendo um laço menos com a empresa. O autor sugere um progresso sustentado na autoconfiança em si mesmo e no desenvolvimento.
Somos dotados de tudo de que todos precisam para tomar o caminho certo que, uma vez escolhido, será o mesmo para todos.
No capítulo 5, Comunidade, Bauman diz que, Vivemos em comunidade antes mesmo que os homens começassem a exercitar seus cérebros para criar o melhor código de convívio que sua razão podia sugerir – eles já tinham uma história e costumes (coletivamente seguidos). Ela sempre existiu. Mas, na medida em que precisam ser defendidas para sobreviver e apelar para seus próprios membros para que assegurem essa sobrevivência com suas escolhas individuais e assumam responsabilidade individual por essa sobrevivência; acaba por ocorrem mais projetos que realidade.
O comunitarismo é uma reação esperável à aceleração “liquefação” da vida moderna. Um aspecto muito visível do desaparecimento das velhas garantias é a nova fragilidade dos laços humanos, podendo ser um preço inevitável do direito dos indivíduos perseguirem seus objetivos individuais. Com ele a promessa de um porto seguro, o destino dos sonhos dos marinheiros perdidos no mar turbulento da mudança constante, confusa e imprevisível. O comunitarismo aceitou que existe oposição entre dois valores humanos : liberdade e segurança.  E ficou firme ao lado do último.
 Hoje: “qual o valor de nossos prazeres individuais, tão curtos e vazios?”; (modernidade líquida). A nova solidão de corpo e comunidade é o resultado de um amplo conjunto de mudanças importantes (modernidade líquida). Pois estamos órfãos do Estado-nação. Há pouca esperança de resgatar os serviços; está mais para: faça-você-mesmo. Vernet: “Não se pode resolver o problema das minorias com bombas. As explosões deixam o diabo à solta dos dois lados”. A globalização parece ter mais sucesso em aumentar o vigor da inimizade e da luta intercomunal do que em promover a coexistência pacífica das comunidades.
Temos escolhas. Uma delas é aprender a difícil arte de viver com a diferença ou produzir condições tais que façam desnecessário esse aprendizado. Pois, não há afirmação que não seja autoafirmação, nem identidade que não seja construída. O “nós” é hoje um ato de autoproteção. O desejo de comunidade é defensivo contra a confusão e o deslocamento. Como também remete a ideia de um sentimento de que o “nós” expresse um desejo de semelhança como um modo de evitar olhar mais profundo nos olhos dos outros.
        “As diferenças nascem quando a razão não está inteiramente desperta ou voltou a adormecer”. Somos dotados de tudo de que todos precisam para tomar o caminho certo que, uma vez escolhido, será o mesmo para todos. Libertar o poder da razão humana significa libertar o indivíduo de tudo isso.


Referência Bibliográfica:

BAUMAN, Zigman. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro:Jorge Zahar Ed., 2001.

*    Resenha solicitada como parte da avaliação da disciplina de Sociologia dos Processos Sócio-educativos. Titular Professora Consuelo Cristine Piaia.
**   Acadêmicas do Curso de Pedagogia _ PARFOR _ nível 2 _ UPF _ FAED/ 2011.

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