sábado, 22 de junho de 2013

PODER E DESEJO : A TRANSFERÊNCIA NA RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO



PODER E DESEJO :
A TRANSFERÊNCIA NA RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO


         Transferência.
         A interpretação dos sonhos.
         A figura do analista também funcionava como um resto diurno.
         É uma manifestação do inconsciente, que constitui, por isso, mesmo, um bom instrumento da análise desse inconsciente.

Relação médico-paciente, Freud se deu conta da constância com que a transferência também ocorria nas diferentes relações estabelecidas pelas pessoas no decorrer de suas vidas. Entendidas como “a repetição de protótipos infantis vivida com uma sensação de atualidade acentuada” , nada impede que a transferência se dirija ao analista ou a qualquer outra pessoas. Trata-se de um fenômeno que permeia qualquer relação humana.

QUE SÃO TRANSFERÊNCIAS?

                        “São reedições dos impulsos e fantasias despertadas e tornadas conscientes durante o desenvolvimento da análise e que trazem  como singularidade característica a substituição de uma pessoa anterior pela pessoa do médico. Ou  para dizê-lo de outro modo: toda uma série de acontecimentos psíquicos ganha vida novamente,agora não mais como passado,mas como relação atual com a pessoa do médico”

Assim, um professor pode tornar-se a figura a quem serão endereçados os interesses de seu aluno porque é objeto de uma transferência.

                        E o que se transfere são as experiências vividas primitivamente com os pais.

Parafraseando,podemos dizer que na relação professor-aluno, a transferência se produz quando o desejo de saber do aluno se aferra a um elemento particular, que é a pessoa do professor.
                        Transferir é então atribuir um sentido especial àquela figura determinada pelo desejo.
                        Depositários de algo que pertence ao analisando ou ao aluno. Em decorrência dessa “posse”, tais figuras ficam inevitavelmente carregadas de uma importância especial.

É dessa importância que emana o  poder   que inegavelmente têm sobre o indivíduo.

                        Assim, em razão dessa transferência de sentido operada pelo desejo, ocorre também uma transferência de  poder.
Significa que o professor, colhido pela transferência, não são exteriores ao inconsciente do sujeito, mas o que quer que digam será escutado a partir desse lugar onde estão colocados. Sua fala deixa de ser  inteiramente objetiva, mas é escutada através dessa especial posição que ocupa no inconsciente do sujeito.


A idéia de transferência mostra aquele professor em especial em especial foi” investido” pelo desejo daquele aluno. E foi a partir desse “ investimento”  que a palavra, do professor ganhou poder, passando a ser escutada!
                        Mas conhecer do modo singular como se realiza esse desejo naquele aluno em especial é,na verdade, tarefa do analista. Nem o aluno quer ,no fundo,que seu professor saiba do desejo que o move ( nem mesmo, por sinal, pode saber dele, já que se está falando sempre, não se pode esquecer, do desejo inconsciente, e não do desejo, por exemplo, de se tornar geógrafo, pois esse é consciente)


Tudo o que o aluno quer é que seu professor suporte esse lugar em que ele o colocou. Basta isso.
    Ocupar o lugar destinado ao professor pela transferência é uma tarefa um tanto incômoda, visto que ali seu sentido enquanto pessoa é “esvaziado” para dar lugar a um outro que ele desconhece.

O Professor no lugar de transferência.
         O professor deve aceitar o modelo que confere o aluno, permitindo ao aluno seguir seu curso;
         Impor ao aluno seus próprios valores e ideias seria abusar do poder de professor;
         O professor deverá entender sua tarefa como uma contribuição a formação do aluno;
         Só o desejo do professor justifica que ele esteja ali. Mas, estando ali ele precisa renunciar a esse desejo.


Conclusão

         Freud pretendia ensinar como um pedagogo clássico, queria dar uma aula e depois pedir que os alunos demonstrassem através de prova o que assimilaram, percebeu que isso era impossível.
         Percebeu que o inconsciente introduz em qualquer atividade humana o imponderável, o imprevisto não havendo assim como criar uma metodologia pedagógica.
         O educador inspirado por idéias psicanalíticas renuncia a uma atividade excessivamente programada, controlada com rigor obsessivo.
         A psicanálise pode transmitir ao educador uma ética, um modo de ver e entender sua prática educativa.
         O encontro entre o que foi ensinado e a subjetividade de cada um, é o que torna possível o pensamento renovado, a criação, a geração de novos conhecimentos.
         professor deve superar-se como figura de autoridade para o surgimento do aluno como ser pensante.
         Se o professor souber aceitar essa canibalização feita sobre ele e seu saber, estará contribuindo para uma relação de aprendizagem autêntica, assim o aluno sairá dessa relação de posse de um saber que constituirá a base e o fundamento para futuros saberes e conhecimentos.


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