PODER E DESEJO :
A TRANSFERÊNCIA NA RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO
•
Transferência.
•
A interpretação dos sonhos.
•
A figura do analista também funcionava como um resto
diurno.
•
É uma manifestação do inconsciente, que constitui, por
isso, mesmo, um bom instrumento da análise desse inconsciente.
Relação médico-paciente, Freud se deu conta da constância
com que a transferência também ocorria nas diferentes relações estabelecidas
pelas pessoas no decorrer de suas vidas. Entendidas como “a repetição de
protótipos infantis vivida com uma sensação de atualidade acentuada” , nada
impede que a transferência se dirija ao analista ou a qualquer outra pessoas.
Trata-se de um fenômeno que permeia qualquer relação humana.
QUE SÃO TRANSFERÊNCIAS?
“São
reedições dos impulsos e fantasias despertadas e tornadas conscientes durante o
desenvolvimento da análise e que trazem
como singularidade característica a substituição de uma pessoa anterior
pela pessoa do médico. Ou para dizê-lo
de outro modo: toda uma série de acontecimentos psíquicos ganha vida
novamente,agora não mais como passado,mas como relação atual com a pessoa do
médico”
Assim, um professor pode tornar-se a figura a quem serão
endereçados os interesses de seu aluno porque é objeto de uma transferência.
E
o que se transfere são as experiências vividas primitivamente com os pais.
Parafraseando,podemos dizer que na relação professor-aluno,
a transferência se produz quando o desejo de saber do aluno se aferra a um
elemento particular, que é a pessoa do professor.
Transferir
é então atribuir um sentido especial àquela figura determinada pelo desejo.
Depositários
de algo que pertence ao analisando ou ao aluno. Em decorrência dessa “posse”,
tais figuras ficam inevitavelmente carregadas de uma importância especial.
É dessa importância que emana o poder que inegavelmente têm sobre o indivíduo.
Assim,
em razão dessa transferência de sentido operada pelo desejo, ocorre também uma
transferência de poder.
Significa que o professor, colhido pela transferência, não são
exteriores ao inconsciente do sujeito, mas o que quer que digam será escutado a
partir desse lugar onde estão colocados. Sua fala deixa de ser inteiramente objetiva, mas é escutada através
dessa especial posição que ocupa no inconsciente do sujeito.
A idéia de transferência mostra aquele professor em especial
em especial foi” investido” pelo desejo daquele aluno. E foi a partir desse “
investimento” que a palavra, do
professor ganhou poder, passando a ser escutada!
Mas
conhecer do modo singular como se realiza esse desejo naquele aluno em especial
é,na verdade, tarefa do analista. Nem o aluno quer ,no fundo,que seu
professor saiba do desejo que o move ( nem mesmo, por sinal, pode saber dele,
já que se está falando sempre, não se pode esquecer, do desejo inconsciente, e
não do desejo, por exemplo, de se tornar geógrafo, pois esse é consciente)
Tudo o que o aluno quer é que seu professor suporte esse
lugar em que ele o colocou. Basta isso.
Ocupar o lugar
destinado ao professor pela transferência é uma tarefa um tanto incômoda, visto
que ali seu sentido enquanto pessoa é “esvaziado” para dar lugar a um outro que
ele desconhece.
O Professor no lugar de transferência.
•
O professor deve aceitar o modelo que confere o
aluno, permitindo ao aluno seguir seu curso;
•
Impor ao aluno seus próprios valores e ideias
seria abusar do poder de professor;
•
O professor deverá entender sua tarefa como uma contribuição
a formação do aluno;
•
Só o desejo do professor justifica que ele
esteja ali. Mas, estando ali ele precisa renunciar a esse desejo.
Conclusão
•
Freud pretendia ensinar como um pedagogo
clássico, queria dar uma aula e depois pedir que os alunos demonstrassem
através de prova o que assimilaram, percebeu que isso era impossível.
•
Percebeu que o inconsciente introduz em qualquer
atividade humana o imponderável, o imprevisto não havendo assim como criar uma
metodologia pedagógica.
•
O educador inspirado por idéias psicanalíticas
renuncia a uma atividade excessivamente programada, controlada com rigor obsessivo.
•
A psicanálise pode transmitir ao educador uma
ética, um modo de ver e entender sua prática educativa.
•
O encontro entre o que foi ensinado e a
subjetividade de cada um, é o que torna possível o pensamento renovado, a
criação, a geração de novos conhecimentos.
•
professor deve superar-se como figura de
autoridade para o surgimento do aluno como ser pensante.
•
Se o professor souber aceitar essa canibalização
feita sobre ele e seu saber, estará contribuindo para uma relação de
aprendizagem autêntica, assim o aluno sairá dessa relação de posse de um saber
que constituirá a base e o fundamento para futuros saberes e conhecimentos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário