sábado, 22 de junho de 2013

O JOGO E A APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA



O JOGO E A APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA
 Magda da Silva Pinalli Savaris*
            É fato que as crianças aprendem brincando ou jogando, assim como aprendem com qualquer tipo de experiência, mesmo que inconstante. Lieberman dizia que o lúdico é um traço da personalidade que persiste da infância até a juventude e idade adulta, com função muito importante no estilo cognitivo dos indivíduos. (apud ROSAMILHA, 1979, p.75).
            As crianças até três anos vivem a fase que Piaget chamou de anomia, e não podem compreender regras, elas fazem as atividades, ajudam em casa, não pelas ações e sim pelos que lhes é interessante e divertido.
            A partir dos quatro anos, é que começam a buscar benefícios através do jogo, e é aí que o jogo pode contribuir para desenvolver formas mais complexas de pensamento, na medida em que são levadas a se empenharem em refletir sobre seu procedimento.
            É neste contexto que, se ressalta o papel do educador infantil, constituindo-se como um saudável pente entre a brincadeira e as reflexões sobre a mesma e, assim atuando como facilitador de discussões entre os jogadores, que coletivamente constituirão a sua aprendizagem.
            Entre os elementos facilitadores da aprendizagem, podemos destacar a motivação, a curiosidade, a alegria da descoberta, a satisfação pelos resultados alcançados, o elogio, o bom e o estimulante ambiente, a empatia do professor e a simpatia dos colegas e tudo isso é resumido nas expressões: afetividade e ternura.
            O jogo propicia a interação de todos os elementos facilitadores, que envolvem a afetividade. “Saberes não são coisas que vêm de fora ou se captam do meio, mas sim, processo interativo de construção e reconstrução interior e, dessa forma, jamais será cópia da realidade”. (ANTUNES, 2003, p.33).            Os jogos têm imenso valor educacional. Quando conduzidos em grupos, proporcionam aprendizagem de forma muito mais eficiente que os tradicionais exercícios em folha mimeografada.
            Com base nos princípios da educação construtivista, diz-se que:

                                               Os jogos em grupo também promovem o desenvolvimento da inteligência e estimulam o crescimento da capacidade de cooperação entre as crianças; ao trabalhar em pequenos grupos, as crianças precisam acompanhar o raciocínio de seus colegas e desenvolver estratégias para poderem permanecer no jogo, ou vencer. (FACCHINI, 1992, p.12).

                A criança aprende em seu desenvolvimento, muito mais pela coordenação, pela estimulação do raciocínio, ou pela reflexão sobre diferentes pontos de vista, pela colaboração, cooperação e afetividade proporcionadas pelos jogos, do que pelas lições de quadro-verde ou de livros didáticos.
            O jogo é um fantástico e excelente instrumento, pois ao jogar a criança reconstrói-se e se auto-descobre, pois mobiliza as estruturas da afetividade e da imaginação criadora.
            O excesso de imobilidade, de passividade, repetição e repressão social inibem a criança de fazer acontecer na sua atividade lúdica as suas fantasias.

O jogo põe em função, de maneira extremamente variada, todas as possibilidades da criança: força muscular, flexibilidade das articulações, resistência ao cansaço, respiração, precisão de gesto, habilidade, rapidez de execução, agilidade, prontidão de respostas, reflexos, espairecimento, equilíbrio, etc. (JACQUIN, apud ROSAMILHA, 1979, p.65).


                No jogo, as crianças aprendem quem são, aprendem quais são os papeis das pessoas que as cercam e tornam-se familiarizadas com a cultura e os costumes da sociedade. Elas começam a raciocinar, a desenvolver o pensamento lógico, a expandir seus vocabulários e a descobrir relações matemáticas e fatos científicos.
            Os jogos também desenvolvem o senso de competência. A competência leva a confiança e senso de eficácia, diminui a ansiedade e melhora o auto-respeito. “No jogo, a criança não coloca seu corpo, mas a imagem de seu corpo, e essa imagem pode ser destruída e reconstruída”. (SCHILDER apud ROSAMILHA, 1979, p.79).

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