O
JOGO E A APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA
Magda da Silva Pinalli Savaris*
É fato que as crianças aprendem
brincando ou jogando, assim como aprendem com qualquer tipo de experiência,
mesmo que inconstante. Lieberman dizia que o lúdico é um traço da personalidade
que persiste da infância até a juventude e idade adulta, com função muito
importante no estilo cognitivo dos indivíduos. (apud ROSAMILHA, 1979, p.75).
As crianças até três anos vivem a
fase que Piaget chamou de anomia, e não podem compreender regras, elas fazem as
atividades, ajudam em casa, não pelas ações e sim pelos que lhes é interessante
e divertido.
A partir dos quatro anos, é que
começam a buscar benefícios através do jogo, e é aí que o jogo pode contribuir
para desenvolver formas mais complexas de pensamento, na medida em que são
levadas a se empenharem em refletir sobre seu procedimento.
É neste contexto que, se ressalta o
papel do educador infantil, constituindo-se como um saudável pente entre a
brincadeira e as reflexões sobre a mesma e, assim atuando como facilitador de
discussões entre os jogadores, que coletivamente constituirão a sua
aprendizagem.
Entre os elementos facilitadores da
aprendizagem, podemos destacar a motivação, a curiosidade, a alegria da
descoberta, a satisfação pelos resultados alcançados, o elogio, o bom e o
estimulante ambiente, a empatia do professor e a simpatia dos colegas e tudo
isso é resumido nas expressões: afetividade e ternura.
O jogo propicia a interação de todos
os elementos facilitadores, que envolvem a afetividade. “Saberes não são coisas
que vêm de fora ou se captam do meio, mas sim, processo interativo de
construção e reconstrução interior e, dessa forma, jamais será cópia da
realidade”. (ANTUNES, 2003, p.33). Os
jogos têm imenso valor educacional. Quando conduzidos em grupos, proporcionam
aprendizagem de forma muito mais eficiente que os tradicionais exercícios em
folha mimeografada.
Com base nos princípios da educação
construtivista, diz-se que:
Os jogos em grupo também promovem o
desenvolvimento da inteligência e estimulam o crescimento da capacidade de
cooperação entre as crianças; ao trabalhar em pequenos grupos, as crianças
precisam acompanhar o raciocínio de seus colegas e desenvolver estratégias para
poderem permanecer no jogo, ou vencer. (FACCHINI, 1992, p.12).
A
criança aprende em seu desenvolvimento, muito mais pela coordenação, pela
estimulação do raciocínio, ou pela reflexão sobre diferentes pontos de vista,
pela colaboração, cooperação e afetividade proporcionadas pelos jogos, do que
pelas lições de quadro-verde ou de livros didáticos.
O jogo é um fantástico e excelente
instrumento, pois ao jogar a criança reconstrói-se e se auto-descobre, pois
mobiliza as estruturas da afetividade e da imaginação criadora.
O excesso de imobilidade, de
passividade, repetição e repressão social inibem a criança de fazer acontecer
na sua atividade lúdica as suas fantasias.
O jogo põe em função, de maneira extremamente variada,
todas as possibilidades da criança: força muscular, flexibilidade das
articulações, resistência ao cansaço, respiração, precisão de gesto,
habilidade, rapidez de execução, agilidade, prontidão de respostas, reflexos,
espairecimento, equilíbrio, etc. (JACQUIN, apud ROSAMILHA, 1979, p.65).
No
jogo, as crianças aprendem quem são, aprendem quais são os papeis das pessoas
que as cercam e tornam-se familiarizadas com a cultura e os costumes da
sociedade. Elas começam a raciocinar, a desenvolver o pensamento lógico, a
expandir seus vocabulários e a descobrir relações matemáticas e fatos
científicos.
Os jogos também desenvolvem o senso
de competência. A competência leva a confiança e senso de eficácia, diminui a
ansiedade e melhora o auto-respeito. “No jogo, a criança não coloca seu corpo,
mas a imagem de seu corpo, e essa imagem pode ser destruída e reconstruída”.
(SCHILDER apud ROSAMILHA, 1979, p.79).

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